Emergência do Hospital Conceição lotada: gestão do GHC fecha portas e obriga trabalhadores da segurança a realizar triagem de pacientes no pátio

A superlotação na emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição já foi denunciada diversas vezes. No entanto, as ações da gestão do GHC tem piorado o problema, agora explorando funcionários pelo desvio de função e precarizando ainda mais o atendimento.

Os seguranças recebem a orientação verbal de sua coordenação para deixar que o mínimo possível de pacientes acessem o atendimento no setor da emergência, e responder que “não há atendimento”. Na prática, a emergência fecha suas portas ao atingir aproximadamente 60 pacientes internados. Dependendo do nível de insistência do usuário do SUS, os seguranças também são orientados a preencher uma planilha impressa – fornecido pela coordenação do hospital – , no próprio pátio, com nome, horário de chegada e o motivo pelo qual a pessoa necessita de atendimento, para logo liberar a entrada na triagem de saúde. O objetivo do formulário não é explicado nem para o funcionário nem para o paciente.

Isto é, os trabalhadores além de garantir a segurança da comunidade hospitalar, precisam realizar uma triagem prévia à triagem dos profissionais de saúde, e a população precisa passar pelo constrangimento de implorar atendimento e contar seu caso particular para funcionários que não são capacitados para o atendimento. A coordenação de segurança nunca passou tais orientações para os funcionários da segurança por escrito, porém, os mesmos cumprem as ordens por medo de serem advertidos ou até demitidos.

Nesta segunda-feira, dia 11, por exemplo, o número de internados na emergência é de 78 pessoas. As luzes da emergência são apagadas, deixando os pacientes e funcionários no escuro para que a população que chega em busca de atendimento pense que a emergência está fechada, e assim procure outros lugares. Se antes os pacientes sofriam à espera de atendimento nos corredores da emergência, que abrigava cerca de 140 pessoas, atualmente eles são empilhados nos andares, independente das suas necessidades, ou mandados embora na porta do Hospital Conceição. Em 2017, é possível afirmar que a emergência do hospital já ficou mais tempo fechada para a população do que aberta.

Para ter um número relativamente pequeno de pacientes internados na emergência, a atual diretoria do GHC criou há alguns meses o “5º leito” , um tipo de nova vaga nos quartos já superlotados, para pessoas que ficavam na emergência. Para a gerência de internação e a direção do GHC, um paciente que necessita de cuidados na área da gastrologia, por exemplo, pode ser internado tanto no andar da pneumologia como da ginecologia ou da medicina interna. Não há nenhuma separação de alas entre os pacientes, como cuidado intermediário, semi-intensivo e mínimo. A assistência além de ser precária é insuficiente, e quem mais sofre são os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) que ficam desassistidos.

Há acúmulo de funções nas mais diferentes alas. É urgente a reformulação do atendimento no GHC e a contratação de mais profissionais da saúde. Somente com condições dignas de trabalho é possível humanizar o atendimento e a qualidade do serviço oferecido à população que necessita do SUS.

Fotos: Comunicação ASERGHC

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