Dia estadual de luta dos trabalhadores da saúde

Ato unificada e caminhada para exigir contraproposta patronal

“Salário miserável, não tem nem para a comida. Jornada de trabalho que consome minha vida!” Foi cantando palavras de ordem como essa que uma caminhada conjunta dos trabalhadores de diferentes instituições de saúde simbolizou a unidade de mais de onze categorias de trabalhadores torno a campanha salarial 2016 e a defesa do SUS. A marcha, que partiu do Hospital de Clínicas, pela Avenida Protásio Alves até a sede do Sindishospa, na Rua Corte real, e de lá pela Avenida Ipiranga até a Ramiro Barcelos, recebeu amplo apoio da população com acenos das janelas e balcões e buzinas comemorativas dos automóveis.

Os trabalhadores do GHC, maior complexo hospitalar 100% SUS do Brasil, estiveram mobilizados em frente ao Hospital Conceição desde o meio-dia. Eles se somaram à marcha com uma coluna munidos de faixas que diziam “Exigimos 15%” e “Por um SUS de qualidade, melhores condições para os trabalhadores da saúde”. O Presidente da ASERGHC, Valmor Guedes, disse que os servidores não aceitarão a corrosão dos seus salários e enfatizou: “Precisamos recuperar todas as perdas.”

A mobilização, que envolveu servidores do GHC, HCPA, Santa Casa de Misericórdia e o apoio de trabalhadores dos diversos hospitais da Capital e região metropolitana, resulta da insatisfação dos trabalhadores da saúde com a proposta apresentada pelas direções dos hospitais que prevê a reposição abaixo de um terço da inflação do período. O Sindicato dos Hospitais e Clínicas de Porto Alegre – Sindihospa, que reúne as direções dos hospitais públicos e privados, propôs na mesa de negociação apenas 3% de reposição salarial parcelada em três vezes de 1%, o que foi imediatamente rejeitado. A inflação acumulada no período perfaz 9,91%. Agora, as diversas categorias como médicos, enfermeiros, administradores, nutricionistas, técnicos em segurança do trabalho, higienizadores, entre outros, estão unificados para evitar perdas salariais, lutar por melhores condições de trabalho e em defesa de mais recursos para o SUS.

Em rápida reunião com representante do Sindihospa, os representantes sindicais dos trabalhadores exigiram uma contraproposta salarial que contemple a reposição integral da inflação acumulada e aumento real de salário. Eles querem 15% de reajuste. Em cerca de dez dias, uma nova Assembleia Geral unificada deverá avaliar a contraproposta do Sindihospa, que deve ser elaborada até o final desta semana. Com o estado de greve declarado desde a última assembleia geral unificada, há risco real de deflagração de greve dos trabalhadores da saúde no próximo período. O Presidente do Sindisaúde-RS, Arlindo Ritter, alertou que o sindicato patronal quer fazer negociações em separado e com isso dividir as categorias. “Não vamos aceitar negociação em separado. Sabemos que houve repasses de recursos. Não vamos pagar pela crise!”

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